A técnica da escrita científica
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbef/v37n2/0102-4744-rbef-37-02-2201.pdf. Acesso em 03 dez. 2018.
Osvaldo N. Oliveira Jr.
Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, SP, Brasil
Cientistas precisam se comunicar com a sociedade
artigos científicos = mais difíceis de produzir
- precisão da informação X tornar o texto acessível a um público não
especializado.
A ESCRITA de um artigo científico deve obedecer critérios
- método científico,
- método científico,
- publicação justificável = se houver contribuições relevantes.
ARTIGO:
[...] Ou seja, o artigo deve ser resultado de um trabalho de pesquisa sistemático, criteriosamente planejado para resolver problemas científico-tecnológicos que tragam avanços significativos ao campo de pesquisa. O conhecimento da literatura e o domínio da metodologia apropriada s˜ao essenciais para atingir tal objetivo. (p. 01)
[...] Ou seja, o artigo deve ser resultado de um trabalho de pesquisa sistemático, criteriosamente planejado para resolver problemas científico-tecnológicos que tragam avanços significativos ao campo de pesquisa. O conhecimento da literatura e o domínio da metodologia apropriada s˜ao essenciais para atingir tal objetivo. (p. 01)
Um artigo científico deve conter:
- novas ideias,
- novas ideias,
- conceitos,
- interpretações,
- modelos teóricos,
e não apenas um
relato de resultados.
O estudo e a aprendizagem da escrita científica são hoje baseados numa área denominada linguística de
corpus, em que fenômenos linguísticos são estudados
a partir da análise de grande volume de textos.
[...] Um
corpus é uma coleção de textos – falados ou escritos –
organizados ou indexados para um propósito específico.
São exemplos os corpus com textos traduzidos de uma
língua para outra usados no desenvolvimento de tradutores
automáticos.
O texto científico é altamente estereotipado, e um artigo tem uma estrutura
praticamente fixa. Deve conter as seguintes
seções:
1) Título,
2) Resumo,
3) Introdução,
4) Materiais
e Métodos,
5) Resultados,
6) Discussão,
7) Conclusão,
8) Agradecimentos e
9) Referências,
FLUXO de texto num ARTIGO CIENTÍFICO = a um movimento bem definido.
INTRODUÇÃO: começa do tema mais geral, e afunila para
mencionar a contribuiçãao do artigo, num movimento do
geral para o específico.
CONCLUSÃO: contrário, movimento oposto, iniciando-se com o retomar dos
principais resultados do artigo e terminar com as implicações das contribuições para uma área mais geral ou
mesmo para a sociedade, dependendo do tipo de trabalho.
RESUMO = componente mais importante (em muitas bases de dados
cientíıficas, apenas o título e resumos são fornecidos).
Resumo DEVE trazer:
- a s´ıntese
das ideias e concepções inovadoras do trabalho.
2 ESTILOS principais de resumo: os descritivos e os informativos.
para RESULTADOS ORIGINAIS = obrigatoriamente INFORMATIVO
CONTER: as principais contribuições do trabalho.
Estrutura = relativamente fixa, tendo como componentes:
Contextualização, Lacuna, Propósito, Metodologia,
Resultados e Discussão, e Conclusão e
Perspectivas.
Qdo a revista limita o tamanho do
Resumo = eliminados os 2 (contextualização e lacuna),
Inicia-se com o Propósito.
CONTEXTUALIZAÇÃO = tópico geral de que trata o artigo
LACUNA: limitações ou restrições da área, que será preenchida com o trabalho
LACUNA: limitações ou restrições da área, que será preenchida com o trabalho
PROPÓSITO: vem logo a seguir (obrigatório), informa os objetivos principais;
METODOLOGIA: os meios para atingir esses objetivos (Podendo incluir procedimentos experimentais, análises teóricas ou estatísticas.
RESULTADOS: principais contribuições do trabalho devem estar contidas no
componente DISCUSSÕES: dados quantitativos se for o caso, e com a interpretação dos resultados mais relevantes.
[...] Ressalte-se que o resumo,
assim como o artigo científico, deve ter o material
organizado de forma lógica, privilegiando a transforma¸c˜ao
dos resultados em ideias e conceitos. A ordem
lógica pode n˜ao coincidir com a cronológica em que a
pesquisa foi realizada. [...]
CONCLUSÕES e
PERSPECTIVAS: encerra o resumo, colocando-se as principais
contribuições do artigo no contexto mais abrangente
do tópico de pesquisa e apontando-se suas implicações.
RESUMOS DESCRITIVOS
- sumarizar o conteúdo de livros, capítulos de livros e artigos de revisão da literatura, pois nestes casos as contribuições mais relevantes podem não ser originais ou mesmo estar contidas em trabalhos de outros autores, discutidos no texto. O resumo tem o papel de descrever como o tópico em questão ser´a abordado.
Para os resumos
descritivos, a estrutura é menos fixa do que nos informativos,
mas o leitor precisa ser informado de que se
trata de revisão da literatura ou dissertação sobre determinado
assunto.
TEXTO DO ARTIGO
- buscar concisão e precisão na informação
- buscar concisão e precisão na informação
PRECISÃO: [...] essencial, pois muitos termos têm significados específicos
em física (ou em ciência), que podem diferir
de seu uso corriqueiro. Por exemplo, a palavra “interferência”
´e muito empregada em linguagem coloquial
para uma diversidade de situações. Mas em física tem
significado específico, no fenômeno de interferência de
ondas. A busca por concisão, por outro lado, deve ser
incansável, especialmente porque autores tendem a exagerar
no uso de clichês e em palavras desnecessárias.
Recomendações PARA GANHAR concisão:
- reduzir ao mínimo o número de adjetivos e advérbios, (evitar os que não trazem precisão)
[...] Em física, palavras como grande, pequeno, amplamente, extensamente, extremamente n˜ao contribuem para transmitir informação precisa. O mesmo se aplica a expressões como sendo assim, quase sempre dispensável.
Recomendações PARA GANHAR concisão:
- reduzir ao mínimo o número de adjetivos e advérbios, (evitar os que não trazem precisão)
[...] Em física, palavras como grande, pequeno, amplamente, extensamente, extremamente n˜ao contribuem para transmitir informação precisa. O mesmo se aplica a expressões como sendo assim, quase sempre dispensável.
"Como se pode depreender, os conceitos relevantes da
escrita científica são independentes da língua em que
o artigo é escrito. [...] A proposito, a influencia da
língua materna é uma das maiores limitações para a escrita de qualidade numa língua estrangeira. Não é
incomum que um aprendiz, conhecedor do vocabulário
e gramática de uma segunda língua, escreva sentenças
gramaticalmente corretas que soam estranhas para um
nativo da língua."
POSSÍVEL SOLUÇÃO para esta dificuldade em escrever
textos com o padrão próximo daquele produzido
por escritores nativos e experientes também pode ser
encontrada na linguística de corpus. -- estratégia, delineada detalhadamente num livro recente
[2]
- que consiste em aprender por exemplos a partir
de um corpus montado pelo próprio aprendiz.
- Inclui
treinamento intensivo com leitura de textos científicos
em inglês, publicados preferencialmente por nativos da
língua,
- e anotação da função de expressões e sentenças
"[...] Para montar o corpus, o pesquisador deve ler cuidadosamente
grande quantidade de textos, e anotar como
expressões transmitem conceitos e ideias. De fato, ´e
correta a percepção de que para escrever bem ´e preciso
ler muito. Porém, não se trata de leitura qualquer; deve
ser sistemática e meticulosa, concentrando-se mais na
forma do que no conteúdo do texto."
ESTUDO SISTEMÁTICO:
- facilitado se os textos compilados para o corpus forem classificados de acordo com as seções e componentes de um artigo,
- facilitado se os textos compilados para o corpus forem classificados de acordo com as seções e componentes de um artigo,
- se forem
anotadas as funções retóricas das expressões.
E útil para qualquer escritor em língua estrangeira saber executar
funções retóricas como “descrever”, “contrastar”,
“definir”, “concluir”, etc, para que possa se expressar
com a mesma proficiência que o faz na língua materna.
Mencione-se que esse trabalho de identifica¸c˜ao de subcomponentes
e funções já constitui ótimo exercício de aprendizado em escrita científica, independentemente da língua."
"A estratégia inspirada em linguística de corpus só é
bem sucedida se o aprendiz já tiver um conhecimento
mínimo de inglês, pois caso contrário não será capaz de identificar as expressões e funções relevantes. Além disso, a tarefa de aprender escrita científica em inglês,
a partir de um corpus que precisa ser construído, n˜ao
´e simples e nem rápida. Exige dedicação e tempo, pois não ha formulas magicas para aprender escrita científica com pouco esforço como também não as ha para aprender física."
Revista Brasileira de Ensino de F´ısica, v. 37, n. 2, 2201 (2015)
www.sbfisica.org.br
DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1806-11173720001
Carta ao Editor
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