domingo, 23 de setembro de 2018

Estudo do Livro:
Filosofia da Ciência de Rubem Alves


A.4 O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o comportamento e inibe o pensamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em pensar de maneira correta (os cientistas), os outros indivíduos são liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer o que os cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma receita você faz perguntas? Sabe como os medicamentos funcionam? Será que você se pergunta se o médico sabe como os medicamentos funcionam? Ele manda, a gente compra e toma. Não pensamos. Obedecemos. Não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos especializados e competentes em pensar. Pagamos para que ele pense por nós. E depois ainda dizem por aí que vivemos em uma civilização científica... O que eu disse dos médicos você pode aplicar a tudo. Os economistas tomam decisões e temos de obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem ser as nossas cidades, e assim acontece. Dizem que o álcool será a solução para que nossos automóveis continuem a trafegar, e a agricultura se altera para que a palavra dos técnicos se cumpra. Afinal de contas, para que serve a nossa cabeça? Ainda podemos pensar? Adianta pensar? (p. 07-08)
B.1 Antes de mais nada é necessário acabar com o mito de que o cientista é uma pessoa que pensa melhor do que as outras. 
A especialização pode transformar-se numa perigosa fraqueza. (p. 8)
O que eu desejo que você entenda é o seguinte: a ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos. (p. 9) 
A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum. Só podemos ensinar e aprender partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe. 

Hipótese:
E.6 Resumindo:
(a) Defrontamo-nos com um problema, um enigma que nos intriga.
(b) Já dominamos intelectualmente (conhecemos) uma experiência familiar que imaginamos ser…
(c) ... análoga à estrutura do problema.
Esta será nossa hipótese de trabalho – o palpite que vai orientar nossa investigação. (p. 37) [...]

(d) ...pagamos para ver. Fazemos uma pesquisa. Experimentamos. (p. 38)


Nós não conhecemos a realidade. [...]  Freqüentemente, os cientistas são forçados a reconhecer que as coisas. são totalmente diferentes daquilo que pensavam. (p. 48)

Anote isto: a inteligência está diretamente relacionada à nossa capacidade para inventar e operar modelos. Modelos nos permitem simular o que deverá acontecer, sob certas condições. Com o seu auxílio simulamos situações, sem  que elas jamais aconteçam. Isto nos permite ajustar o comportamento ou para evitar, ou para provocar um determinado futuro. Os modelos economizam o corpo. (p. 49)

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