Filosofia da Ciência de Rubem Alves
A.4 O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque ele induz o
comportamento e inibe o pensamento. Este é um dos resultados engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em pensar de maneira
correta (os cientistas), os outros indivíduos são liberados da obrigação de
pensar e podem simplesmente fazer o que os cientistas mandam. Quando o
médico lhe dá uma receita você faz perguntas? Sabe como os medicamentos
funcionam? Será que você se pergunta se o médico sabe como os
medicamentos funcionam? Ele manda, a gente compra e toma. Não pensamos.
Obedecemos. Não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos
especializados e competentes em pensar. Pagamos para que ele pense por nós.
E depois ainda dizem por aí que vivemos em uma civilização científica... O
que eu disse dos médicos você pode aplicar a tudo. Os economistas tomam
decisões e temos de obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem
ser as nossas cidades, e assim acontece. Dizem que o álcool será a solução
para que nossos automóveis continuem a trafegar, e a agricultura se altera para
que a palavra dos técnicos se cumpra. Afinal de contas, para que serve a nossa
cabeça? Ainda podemos pensar? Adianta pensar? (p. 07-08)
B.1 Antes de mais nada é necessário acabar com o mito de que o cientista é
uma pessoa que pensa melhor do que as outras.
A especialização pode transformar-se numa perigosa fraqueza. (p. 8)
O que eu desejo que você entenda é o seguinte: a ciência é uma
especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos. (p. 9)
A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento
progressivo do senso comum. Só podemos ensinar e aprender partindo do
senso comum de que o aprendiz dispõe.
Hipótese:
E.6 Resumindo:
E.6 Resumindo:
(a) Defrontamo-nos com um problema, um enigma que nos intriga.
(b) Já dominamos intelectualmente (conhecemos) uma experiência familiar que imaginamos ser…
(c) ... análoga à estrutura do problema.
Esta será nossa hipótese de trabalho – o palpite que vai orientar nossa investigação. (p. 37) [...]
(d) ...pagamos para ver. Fazemos uma pesquisa. Experimentamos. (p. 38)
Nós não conhecemos a realidade. [...] Freqüentemente, os cientistas são forçados a reconhecer que as coisas. são totalmente diferentes daquilo que pensavam. (p. 48)
Anote isto: a inteligência está diretamente relacionada à nossa capacidade para inventar e operar modelos. Modelos nos permitem simular o que deverá acontecer, sob certas condições. Com o seu auxílio simulamos situações, sem que elas jamais aconteçam. Isto nos permite ajustar o comportamento ou para evitar, ou para provocar um determinado futuro. Os modelos economizam o corpo. (p. 49)
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